Por que uma cidade como Curitiba, oitava cidade mais populosa da federação de acordo com o IBGE, tem tantos parques, bosques e demais áreas verdes? A resposta está diretamente ligada à política ambiental da cidade, praticada desde o século passado.
Áreas verdes como parte do planejamento urbano
O planejamento urbano é fundamental para a sustentabilidade ambiental, o crescimento econômico, estrutural e, principalmente, social, em qualquer cidade do mundo. Curitiba tem uma das redes de áreas verdes mais conhecidas do Brasil. Até 2026, a cidade reúne 34 parques e 15 bosques, além de outras áreas de conservação.
Mais do que espaços de lazer, muitos desses locais foram planejados para preservar rios e áreas de várzea e ajudar no controle das águas das chuvas.
Jaime Lerner e a expansão dos parques
Essa estratégia ganhou força a partir da década de 1970, durante as gestões do arquiteto Jaime Lerner (1937-2021) na Prefeitura.

Em vez de tentar ocupar ou canalizar completamente áreas sujeitas a alagamentos, o planejamento passou a aproveitar esses espaços para a criação de parques. A ideia era permitir que determinadas regiões recebessem o excesso de água durante chuvas fortes, reduzindo os impactos em áreas urbanizadas.
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Parque Barigui: lazer e contenção das águas
Um dos principais exemplos é o Parque Barigui, criado em 1972. Com cerca de 1,4 milhão de metros quadrados, o parque possui um lago de aproximadamente 230 mil metros quadrados, que ajuda a conter as águas do Rio Barigui. O mesmo princípio é encontrado em parques como São Lourenço, Bacacheri, Tingui e Atuba, que também possuem lagos e áreas importantes para a drenagem.
Da história à função ambiental dos parques
A história, porém, começou antes de Lerner. O Passeio Público, primeiro parque de Curitiba, foi inaugurado em 1886, em uma região alagadiça ligada ao Rio Belém. Ao longo do século XX, a cidade ampliou gradualmente suas áreas verdes, até transformar os parques em uma ferramenta de planejamento urbano e ambiental.
Hoje, essa rede exerce várias funções ao mesmo tempo: oferece espaços de lazer, preserva vegetação e biodiversidade e ajuda a cidade a lidar com o excesso de água. Os parques não impedem alagamentos, mas permitem que parte da água seja temporariamente absorvida ou armazenada em áreas planejadas. É essa combinação entre planejamento urbano, preservação ambiental e controle das águas que explica por que Curitiba tem tantos parques.













