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Por que o AtleTiba do dilúvio, com placar de 3 a 3, entra para a história dos clássicos?

Athletico abriu dois gols de vantagem, Coritiba teve um jogador expulso, mas foi buscar o resultado; AtleTiba do dilúvio teve lances dramáticos até o último segundo da partida

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AtleTiba do dilúvio
Jacy (Coritiba) e Viveros (Athletico) | Crédito(s): Gustavo Oliveira / Coritiba

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Qualquer clássico por si só chama a atenção. E isso vale para o mundo todo, seja aqui no Brasil ou na Europa, Ásia, América Central ou do Norte, África, Oceania, enfim!

Agora, por que o clássico AtleTiba do dilúvio chamou tanto a atenção e a repercussão também não foi só, em Curitiba ou no Paraná, mas pelo mundo afora?

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Vamos aos principais fatos.

Primeiramente, a CBF marcou um clássico dessa envergadura para uma sexta-feira às 21h, sendo que as duas equipes disputam apenas o Brasileirão. Por que não fazer a partida em um sábado ou, principalmente, em um domingo às 16h, dia e horário ideais para chamar as torcidas e promover a partida?

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Pedido do Coritiba

Dez dias antes da Confederação Brasileira de Futebol confirmar a tabela da 27ª rodada do Brasileirão, o Coritiba havia pedido alteração de data, o Athletico aceitou, mas a CBF deu a justificativa dos direitos de transmissão da TV.

Bom, no dia da partida, na última sexta-feira (11), choveu muito, em Curitiba, aliás com alertas meteorológicos amarelo e vermelho da do Instituto Nacional de Meteorologia e da Defesa Civil do Paraná. Ou seja, orientação para ficar em casa, bem abrigado. Vale destacar que chove forte, na capital paranaense, há duas semanas. Mas não é só chuva, é temporal para valer!

Então, acho que a partida nem deveria ter sido disputada para preservar, inclusive, a integridade dos atletas e a segurança dos torcedores. Bom, o árbitro deu o aval para o início do clássico, mesmo com chuva torrencial. Para fazer o teste, no gramado do estádio Couto Pereira, ele rolou a bola nos locais onde ainda não havia poças de água.

AtleTiba do dilúvio

Vale destacar a boa drenagem do Couto Pereira. Caso contrário, já bem antes da “bola rolar”, a CBF teria adiado o jogo. Não há estádio no mundo que resista tanta chuva. Ainda antes do apito inicial, os técnicos Fernando Seabra (Coritiba) e Odair Hellmann (Atlhetico) conversaram com o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães (RJ) e deu a entender que gostariam que o jogo fosse adiado, o que não aconteceu.

atletiba
Técnicos conversam com arbitragem | Crédito(s): Reprodução / Premiere

Clássico teve de tudo

Vamos lá, sem saber do resultado final, se você não tivesse visto o jogo, soubesse do temporal e fosse “chutar” um placar, qual seria? Talvez você acertasse o empate, mas não por 3 a 3, ou quem sabe, uma a zero daqueles. Mas foi exatamente ao contrário.

O clássico teve provocação, expulsão, as torcidas apoiando sem parar até o apito final, uma vantagem numérica enorme no placar para um AtleTiba (3 a 1 para o rubro-negro paranaense até os acréscimos do segundo tempo), uma busca incansável do Coritiba e um herói improvável.

Primeiro tempo

No primeiro tempo, o Athletico aproveitou as chances com bola parada. Aliás, era o único jeito de chegar ao gol adversário. Antes dos 30 minutos, o Furacão já abria 2 a 0 no placar e a torcida rubro-negra já pensava em goleada. O primeiro gol, de Luiz Gustavo, com falha do jovem goleiro Pedro Morisco, convocado pela primeira vez para a seleção brasileira. O segundo tento foi de outro chamado por Carlo Ancelotti, o zagueiro Arthur Dias, de apenas 19 anos.

Perto do final da primeira fase, um lance polêmico com a expulsão do atacante coxa-branca Breno Lopes pela “Lei Vini Jr”, o atleta tapou a boca ao falar com um jogador do Athletico. Estava tudo favorável para os rubro-negros, 2 a 0 no placar, um jogador a mais para o restante da partida. Mas não foi bem assim. Ainda antes do encerramento do primeiro tempo, Coritiba diminuiu, após cobrança de falta de Josué na trave, a bola voltou para o peito de Tiago Cóser e entrou.

Segundo tempo

No segundo tempo, não que a chuva tivesse dado uma trégua, mas diminuiu um pouquinho só. E aí começaram a surgir mais chances, mais emoção e provocação até o último lance da partida. O atacante Viveros, sempre ele, de pênalti ampliou o marcador. É o artilheiro do Brasileirão, com 18 gols. Pronto, a torcida athleticana já contava com os três pontos, ledo engano.

viveros
Viveros é o artilheiro do Brasileirão | Crédito(s): Rui Santos

Apoiado pela torcida que nunca abandona, o Coritiba lutou até o fim, aliás dramático, com a chuva que não parava de cair. Já aos 46 minutos do segundo tempo, Moledo empatou de cabeça e, no último lance da partida, mais uma vez o zagueiro, de 38 anos e que saiu da reserva, empatou o jogo para delírio dos coxas.

Jogo histórico

Placar final: 3 a 3, que jogo! Para o Athletico, a sensação de derrota. Para o Coritiba, alívio e, pelas circunstâncias da partida, um ponto que valeu por três.

Todos os gols saíram de bola parada. Mesmo com tanta chuva, foram 26 finalizações, 14 pelo lado Alviverde contra 12 do adversário. Com o campo encharcado e sem possibilidade de ficar tocando bola para o lado o tempo todo, a partida teve um ritmo diferenciado.

moledo heroi
Moledo marcou dois gols | Crédito(s): JP Pacheco / Coritiba

O Athletico “entendeu” melhor o início do jogo, com o estado do campo, aproveitou as oportunidades, mas não soube segurar o placar, que parecia garantido. O time caiu muito de produção, após as saídas de Viveros e Mendoza.

O Coritiba não desistiu nunca, teve Josué como o melhor em campo, participou dos três gols, e um herói improvável, o zagueiro Moledo, que saiu do banco para marcar dois gols no finalzinho da partida.

Não foi o único

Apenas como lembrança, não é a primeira vez um zagueiro coxa-branca marca dois gols em AtleTibas. Em maio de 1997, também no Couto Pereira, Zambiasi marcou os dois gols do Coritiba no empate com o rival.

Competições internacionais

O resultado do clássico AtleTiba credencia, sim, as equipes para uma boa sequência de campeonato. Por mais que o Athletico tenha deixado escapar a vitória, o time está na terceira posição na tabela de classificação e tem tudo para carimbar uma vaga na Libertadores da América. O Coritiba achou forças absurdas para buscar o empate, com sabor de vitória, e dentro da sua realidade conquistar o caminho para a Copa Sul-Americana.

Dois times que vieram da Série B e que, bem provavelmente, estarão em competições internacionais em 2027.

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