O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) irá analisar, a partir das 10h (horário de Brasília) desta quinta-feira (08), o registro da candidatura de Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado. A discussão ocorrerá no plenário físico da Corte Eleitoral para definir o futuro político de Deltan Dallagnol
Mesmo com a elegibilidade indefinida, o ex-procurador da Lava Jato foi eleito senador com 25,14% dos votos. Se o TSE decidir por negar o registro, os votos recebidos por ele serão anulados e ele não poderá assumir o cargo.

Início do imbróglio judicial
A controvérsia sobre a candidatura gira em torno da saída de Deltan do Ministério Público Federal, em novembro de 2021. Em 2023, o TSE concluiu que o então procurador pediu exoneração quando enfrentava procedimentos disciplinares que poderiam resultar em punições mais graves. Para a Corte, a saída teve o objetivo de evitar uma causa de inelegibilidade prevista na Lei da Ficha Limpa. O registro foi cassado, e Deltan perdeu o mandato de deputado federal.
Na disputa pelo Senado neste ano, porém, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná entendeu que o arquivamento posterior dos procedimentos disciplinares e novos documentos apresentados pela defesa sobre as circunstâncias da exoneração contrariam o argumento do TSE e permitiu a candidatura.

O recurso contra a candidatura foi apresentado pela Coligação Paraná Para Todos e da Federação Brasil da Esperança (PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PRD e Solidariedade).
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Decisões poucas horas antes da eleição
No sábado (03), poucas horas antes das eleições, o ministro Floriano de Azevedo Marques negou a candidatura de Deltan de forma monocrática e determinou que os votos recebidos fossem considerados nulos. Segundo ele, o TRE-PR não poderia dar nova interpretação aos mesmos fatos sem demonstrar mudança relevante no quadro jurídico ou factual, e que cabe ao próprio TSE rever, se for o caso, um entendimento já firmado.
No domingo de eleição (04), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, suspendeu a decisão do ministro Floriano. Kassio entendeu que uma decisão individual não poderia produzir efeitos definitivos sobre a candidatura e os votos antes da manifestação do colegiado.
O que diz a defesa de Deltan
A defesa de Deltan afirma que a candidatura é possível, já que o TSE não declarou expressamente sua inelegibilidade e também não fixou um período de oito anos de impedimento. O candidato teve aproximadamente 3 milhões de votos (25,14%) no primeiro turno das eleições para senador, no Paraná, e conquistou a segunda vaga para o Senado. A primeira ficou com o deputado federal Filipe Barros (PL).
"Em Brasília, tem bandidos que nós vamos enfrentar". Em seu 1° discurso após ser eleito senador pelo Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) sobe o tom após tentativa de cassação de sua candidatura.
— Extranacional Paraná (@extranacionalpr) October 5, 2026
A íntegra, em Extranacional.#deltandallagnol #dallagnol #parana pic.twitter.com/3BNw2iL2GP
Como fica
Se o TSE confirmar o registro, Deltan mantém a condição de eleito. Se concluir que ele não poderia ter concorrido, será necessário definir também o efeito da decisão sobre a cadeira. A eleição para senador é Majoritária, diferentemente da disputa para deputado federal.
Isso quer dizer que, nesse caso, não se aplica automaticamente a mesma solução adotada em 2023, quando os votos recebidos por Deltan foram considerados no cálculo partidário para a Câmara. Também não significa, por si só, que a cadeira passe diretamente ao candidato colocado logo atrás.
O destino da vaga dependerá do alcance da decisão tomada pelo TSE. Não está descartada a possiblidade de, caso Deltan não possa assumir, ser realizada uma eleição suplementar para definir a outra vaga para o Senado Federal, no Paraná.















